Hiperidrose

Hiperidrose

Suar Muito é Uma Doença: Hiperidrose

O que é a hiperidrose?

Suar é um fenômeno natural e necessário para regular a temperatura de nosso organismo. A quantidade de suor é controlada pelo sistema nervoso simpático, cujos centros reguladores chamados “gânglios” estão localizados aos lados da coluna vertebral. Destes gânglios, que lembram o formato das contas de um rosário, saem os nervos que chegam até as glândulas sudoríparas da pele estimulando-as a produzir suor.

Por causas geralmente não conhecidas, em aproximadamente 1% da população, o sistema nervoso simpático estimula as glândulas sudoríparas a produzir suor em quantidades muito maiores que as necessárias para o controle da temperatura corporal. Esta condição é uma doença chamada hiperidrose.

Ela pode manifestar-se ou piorar por altas temperaturas ambientais, estresse emocional ou surgir sem motivo aparente. Geralmente se intensifica durante o verão e melhora parcialmente no inverno.

Enquanto todas as pessoas transpiram mais quando estão nervosas ou excitadas, quando fazem exercícios ou quando a temperatura ambiental aumenta, o paciente com hiperidrose transpira excessivamente o dia todo (menos quando dorme) e aparentemente sem motivo.

Assim, constantemente estão com as mãos, pés, axilas e o rosto molhados de suor, sofrendo uma grave interferência com seu trabalho e sua vida social.

Tipos de hiperidrose

De acordo com sua causa a hiperidrose pode ser classificada em primária e secundária.

  • Hiperidrose primária (ou essencial): acontece quando não existe uma doença causando a sudorese exagerada e quase constante. Geralmente aparece durante a infância ou adolescência e perdura pelo resto da vida, manifestando-se como:
  • Hiperidrose palmar: suar exageradamente nas mãos é uma situação muito constrangedora, já que as mãos são usadas em atividades sociais e profissionais mais do que qualquer outra parte do corpo. Um simples aperto de mão constitui uma tortura para quem está com as mãos literalmente escorrendo suor e pode acabar provocando traumas psicológicos, isolamentos sociais, perda de oportunidades profissionais, etc.
  • Hiperidrose facial: o rosto escorrendo suor, especialmente durante compromissos profissionais cria a sensação de nervosismo ou insegurança com as piores consequências para o paciente, que assim fica mais ansioso e piora sua hiperidrose.
  • Hiperidrose axilar: as roupas molhadas de suor na região axilar representa também uma situação muito embaraçosa e pior ainda pela frequente complicação com cheiros desagradáveis que se desenvolvem devido à umidade persistente.
  • Hiperidrose plantar: os pés molhados em forma constante é uma situação muito incômoda e pode determinar até quedas acidentais por escorregar “dentro dos próprios sapatos” e impedir usar algum tipo de sandálias ou sapatos que facilita estes escorregões. Tudo isso sem falar do mau cheiro que logo aparece nos calçados.
  • Hiperidrose múltipla: muitas pessoas sofrem de combinações destas localizações, com sofrimento também múltiplo.
  • Hiperidrose secundária: determinadas doenças ou situações anormais podem também aumentar a transpiração, geralmente envolvendo o corpo todo. As principais doenças que podem manifestar hiperidrose secundária são:
  • o Hipertiroidismo ou doenças endócrinas similares;
  • o Tratamentos com hormônios para câncer de próstata ou para outras doenças malignas;
  • o Alterações psiquiátricas severas;
  • o Obesidade;
  • o Menopausa.

Tratamento clínico

A hiperidrose primária pode ser tratada em forma clínica ou cirúrgica. Os tratamentos clínicos mais usuais da hiperidrose incluem:

  • Antiperspirantes: costuma ser uma das primeiras medidas usadas. São substâncias aplicadas na pele da região afetada para diminuir a sudorese. Porém elas têm efeito parcial, só dura alguns dias e podem irritar a pele. Os antiperspirantes mais usados são cloreto de alumínio e glutaraldeído em concentrações e dosagens apropriadas.

Com a mesma finalidade tem sido usado talco ou amido de milho nas áreas atingidas pela sudorese aumentada.

  • Iontoforese: é a aplicação de corrente galvânica de baixa intensidade nas palmas das mãos ou solas dos pés submergidas em uma solução eletrolítica. Resulta muito difícil aplicar na região axilar e impossível de usar nas hiperidroses difusas ou do rosto. Seu resultado é variável, principalmente dependendo da intensidade da doença e exige equipamento apropriado assim como acompanhamento médico especializado.
  • Medicamentos: medicamentos ansiolíticos, antidepressivos e anticolinérgicos a princípio poderiam ser usados para diminuir a hiperidrose, porém, os efeitos colaterais indesejáveis de todos eles aparecerão muito antes de manifestar qualquer efeito benéfico de diminuição da sudorese. Por este motivo podemos concluir que não existe medicamento sistêmico (em comprimido ou injeção) específico para tratar a hiperidrose.
  • Toxina botulínica ou Botox: esta substância derivada da toxina botulínica é injetada em áreas de hiperidrose conseguindo melhora de alguns meses, porém com resultados pouco satisfatórios e práticos.
  • Psicoterapia: os problemas psicológicos constituem mais uma consequência que uma causa de hiperidrose e por isso mesmo, os benefícios da psicoterapia como tratamento desta doença estão mais orientados a permitir que o paciente aceite viver com seu problema.
  • Hipnose: não é um método muito usado e estudado e os resultados conseguidos são pobres.
  • Medicina alternativa: alguns pacientes insatisfeitos pela pouca melhora com os tratamentos anteriormente referidos tentam outras opções como homeopatia, acupuntura, massagens, drogas fitoterápicas, etc, porém sem atender suas expectativas.

Tratamento cirúrgico

Os tratamentos cirúrgicos da hiperidrose são:

  • Excição das glândulas sudoríparas: consiste na retirada de segmentos de pele da axila, rica em glândulas sudoríparas. Representa uma medida nem sempre satisfatória devido às limitações no tamanho da pele retirada e as possíveis complicações da cicatrização, o que pode limitar a mobilidade do braço.
  • Simpatectomia torácica por vídeo-toracoscopia: é uma cirurgia que elimina o estímulo do sistema nervoso simpático para as glândulas sudoríparas e dessa maneira a sudorese exagerada é controlada. Logo após o ato cirúrgico a hiperidrose desaparece em quase 100% dos pacientes. Está especialmente indicada nas formas axilar, palmar e facial da hiperidrose. Suas complicações são pequenas, especialmente quando comparadas com seus benefícios.

No caso da hiperidrose secundária, o paciente deverá tratar a doença que está se manifestando através da transpiração excessiva.

Setembro 12, 2007 por INPUL

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Sat, 05/12/07 :: 1:03 PM
por INPUL | Instituto do Pulmão